NOBRES: Vivenciamos atentamente as questões nacionais como procedimento de formação de opiniões - por ser a nação, se proclamar a cidadania. O que está em pauta para nós brasileiros é buscar o aprimoramento democrático que tão oportunamente se enquadra o processo eleitoral concernente ao segundo turno das eleições presidenciais. Para que se dê esses conclusos, fomos em busca ao passado histórico iniciado nos anos sessenta em que o país mergulhou em um regime militar que estabeleceu a ruptura democrática. No momento estamos completando vinte e cinco anos de democracia, depois de mais de vinte anos de regime militar, em pleno processo de disputa eleitoral para Presidente da República, este é um dado sobre o qual precisamos refletir. Muito mais do que polarizamos a disputa eleitoral em cabo de guerra, em que a população se divide entre os “vermelhos e os “azuis” (este última “cor”, faz parte da triste história vivenciada no plano municipal, descabida, inconseqüente sem imaginação e sem nexo por excelência, produzido por pessoas sem o menor conteúdo imaginativo.) - É assim os que votam na DILMA/LULA e os que apóiam José Serra, creio que devemos nos debruçar com mais sensibilidade o que está acontecendo entre nós. Ao que parece, existem certos vícios e os quais nos acostumamos a experimentar com a história do Brasil. Na década de setenta, onde a divisão ideológica atingia o artífice causado pela guerra fria, quando o mundo se dividia entre esquerda e direita, nos acostumamos a nos posicionar entre os que apoiavam a “linha dura” e os que lutavam ou desejavam a liberdade de direito. Ficamos apartados entre a velha ARENA e o antigo MDB. Vinte cinco anos se passaram, inúmeros partidos se criaram, a realidade da vida e o mundo mudou, mas continuamos percebendo nesta velha polarização. “dos anos de chumbo”, conservamos certos conceitos políticos, grama- ticado na sociedade e na economia, em que “dicionário” criou ranços difíceis de serem acabados. Aprendemos, por exemplo, identificar o povo com a população de baixa renda, a olhar a esquerda como a solução das diferenças de classe, a perpetuar a idéia em que a sociedade se divide entre os que são poderosos e os que não são, a identificar o Estado como referência de proteção nacionalista. Nesse cenário o PT conservou-se como o resumo daquela fatia da sociedade de desejava mudanças, no sentido de uma sociedade mais justa e equânime; por outro lado, o PSDB ganhou um status conservador, por oposição. Encastelados nesta equação sintética da sociedade, ainda não conseguimos entender que não se constrói soluções para uma sociedade ainda deficitária a partir dos ranços de símbolos construídos e datados. O Brasil é um país rico, vem se mantendo aplicado em relação a macroeconomia, fazendo a contento o seu dever de casa no panorama da crise que atingiu o chamado PRIMEIRO MUNDO. Mas isso não é tudo. Um país com graves problemas em áreas essenciais como, educação, saúde, segurança pública, infraestrutura, é um país que se conserva dividido entre os interesses dos que têm tudo e dos que pouco têm. Enquanto isso, a riqueza nacional vai sendo distribuída para manutenção do mesmo, pela vias da CORRUPÇÃO. Corrupção do dinheiro público, e dos conchavos com certas empresas privadas. Mas não somente. Os valores é que vem sendo a reboque,, corrompidos. Basta de um “beabá” se os governos passam por cima da lei, ignorando a honestidade pública. Por exemplo: (aqui o caso acontece as nossas “barbas”, não é mesmo?) Por conseguinte, as instituições se tornam frágeis, pela manutenção do velho clientelismo, se o judiciário não imprime a idéia nem a prática da justiça democrática, ágio e eficiente, então continuamos o velho dilema. Não se trata em transformar o quadro político-eleitoral numa partida de futebol, entre Ceará X Fortaleza ou um Fla X Flu frenéticos ou Corinthians X Palmeiras dentre outros clássicos regionais e nacionais. Se o “Bolsa Família” ajudou a retirar da fome milhares de famílias, também não é a questão crucial. O que está em jogo é como o Estado poderá se organizar para planejar e executar uma política consistente que garanta uma sociedade capaz de se estruturar a partir das necessidades mais prementes. Lembre-se o “Bolsa Família”, é o desvio do “Bolsa Escola”, elaborado por Cristovam Buarque e implementado no governo FHC. O que está em jogo não é a manutenção ou não do auxilio, justo, necessário e irrepreensível, às famílias de condições deploráveis de sobrevivência. O que é importante é que este auxílio, absolutamente obrigatório por parte do Estado não se perpetue em procedimento demagógico, sem a produção dessa transformação dessa realidade lastimável. “O Bolsa Família” deve ser mantido, mas com limites, até quando essas famílias terão saído efetivamente desse estado em que precisem desse auxilio. As novas gerações devidamente educadas e saudáveis devem sair deste contexto de necessidade do auxílio básico do Estado. Então se a sociedade está dividida, onde grupos estão repetindo palavras engessadas em velhos significados já vazios e inúteis. A votação expressiva de Marina Silva aponta para uma terceira via. Vamos ouvir o que isto quer dizer. Se a candidata verde iria ou não transformar o status quo da sociedade brasileira, não sabemos. O que não dá mais é para nos fiarmos em soluções mágicas e ilusórias. O que importa é que ela representou os anseios dessa parte do povo, até da totalidade da população, que demanda um resgate dos valores éticos, sem os quais não se constrói uma nação.
Antônio Scarcela Jorge
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