NOBRES: os senhores já observaram o tratamento que dispensamos como forma respeitosa e digna aos preclaros leitores; é o nosso dever de cidadania, quando os chamamos também de “Excelências”. Entretanto que passamos a nos reportar é a maneira formal e protocolar dos parlamentares dirigirem-se uns aos outros empregando de Vossa Excelência, por determinação dos regimentos das nossas Câmaras de Vereadores e Deputados, bem como do nosso Senado. Neste contexto também se conceitua aqueles que têm mandatos eletivos no âmbito do Poder Executivo, porque não incluí-los? Essa consideração se reveste no tratamento apropriado e justo, porque veneração que lhes é devida, não pelas qualificações pessoais de cada um deles, por maiores e melhores que estas sejam, mas sim pela representatividade de que estão ungidos e pelo mandato que estão exercendo e receberam do voto popular. Naturalmente, excelência é ele o eleitor, representante de toda população. Por outra direção, e se faz rogar como dirigir a essas excelências? - A resposta é: mal, muito mal mesmo. Vivemos dizendo ao eleitor que ele tem o dever de votar. Ameaçamos com punições, se ele não cumpri-lo. Jamais enfatizamos esse dever é o mais importante exercício de seu direito de cidadão. Assim, fazemos o eleitor encarar o ato de votar como uma obrigação penosa, a estragar os seus domingos e feriados. Além disso, não lhe é fácil perceber as conseqüências desse ato para o seu cotidiano. Costuma dizer que não entende e não quer entender nada de política, que seja, quem estiver “lá em cima”, sua vida não vai mudar em nada. Acredita que, se não puder melhorá-la com seu próprio esforço, ela continuará difícil e insegura. Desconfia dos, despreza-os, mistura bons (são muito poucos) e maus numa mesma indiferença ou julgamentos depreciativos que tivemos que nos antecipar. E nem poderia ser de outra forma. Após eleito, seu representante se esquece de prestar contas de seu trabalho. Nos meios de comunicação, ele vê enfatizadas as omissões, as desídias e até mesmo a prática escusas sendo promovidas por estes, abdicam da coerência e sensatez. Muitos fazem a prática de seus mandatos uma conquista hereditária, cujas ações vêm desde o desprezo para o eleitor direcionando a perseguição e a retaliação para aqueles que “não rezam na sua infecta cartilha”. O despreparo a mesquinhez desses senhores “tratamento de excelências nunca” desprezando a expressão ética e escorreita da palavra, se torna a cada dia em ouvir suas falácias, sem retórica, bobas e corriqueiras nos palanques eleitorais, nos gabinetes e em qualquer reunião que se promova. Urge sim, tratar com respeito e exatidão “seus” eleitores, assim teremos a perfeita sintonia daquilo que se exara nos regimentos e nos seus atos.
Antônio Scarcela Jorge

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