sábado, 8 de outubro de 2011

PÉROLAS DO ESTÊNIO



Enviado por Arthur Virgílio 
Política

Mensaleiros

O processo do chamado “mensalão”, que deverá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal ao longo do primeiro semestre de 2012, carrega valor simbólico inegável.
A decisão dessa Corte, no sentido de se manter como foro para o 

caso, ainda que os deputados federais João Paulo Cunha e Waldemar da Costa Neto porventura, viessem a renunciar aos respectivos mandatos, merece ser elogiada e oferecida como exemplo ao Brasil: pela jurisprudência anterior, se os citados parlamentares, que têm direito a foro especial, abrissem mão dos mandatos, o processo inteiro iria para a primeira instância e assim, no demorado caminho de volta até o STF, tudo cairia em prescrição e os mensaleiros sairiam impunes.
Pior do que isso, a tese de que houve “mensalão” cairia em névoa e o ex-presidente Lula, arauto principal de sua própria “inocência” e da “lisura” de seus companheiros, teria discurso para percorrer o País com a proposta de aceitarmos o destino de República inapelavelmente desmoralizada.
Eis porque a Nação aguarda o desfecho célere e saneador do processo.
Mensaleiros impunes equivaleriam a sinal verde para a sociedade se degenerar de vez. As pessoas perderiam a razão de se manterem honestas. Os valores se subverteriam completamente.
O Brasil, de Deodoro para cá, jamais presenciou escândalo de proporção tão arrasadora. O mês do julgamento mobilizará todos os sentimentos e todas as esperanças.
A epidemia de “malfeitos” (expressão cunhada pela presidente Dilma Rousseff para substituir a palavra corrupção e, com isso, ferir menos os “brios” de sua base aliada) é consequência da sensação de que, até hoje, os mensaleiros passeiam airosamente pelas ruas brasileiras, livres, ousados, desafiadores.
Não havia mesmo condição de julgá-los em tempo menor que, digamos, maio de 2012. Bons advogados e garantias constitucionais asseguraram esse tempo que tanto angustia as pessoas de bem. Mas a democracia não poderia ser atropelada e seu bastião é o próprio STF.
Antes do “mensalão” havia problemas e até escândalos. Deu-se o momento de corte e, a partir dele, os problemas e os escândalos aumentaram em número, intensidade e descaramento. Um quadrilheiro ameaça o outro pelos jornais. Os discursos dos “descontentes” são cheios de ameaças veladas, de força tal que a presidente desmentiu a ela mesma e jurou que nunca havia pronunciado a palavra “faxina”.
O cenário passa ao povo a impressão de que todos são cúmplices em fatos já ocorridos ou, até, por acontecer.
De repente, política passou a ser sinônimo de imoralidade. Político passou a ser visto como ser merecedor de toda a desconfiança do mundo.
As pessoas sérias pagam pelos despudorados. A descrença se abateu sobre as almas, os corações.
É necessário restabelecermos a normalidade. E esta só virá com o fim da impunidade e o fortalecimento e moralização das instituições.
Daí o constrangimento histórico causado pelos que Antonio Fernando da Silva, quando Procurador-Geral da República chamou de quadrilheiros sofisticados, ao denunciá-los ao STF a partir das denúncias do mensalão.
Ilesa, essa gente desmonta o Brasil e ofende os brasileiros.
Mas a hora está chegando!

Arthur Virgílio é diplomata, foi líder do PSDB no Senado



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sábado, 08 de outubro de 2011 | 03:27

Senado feudal

Sebastião Nery
Piancó é cidade ilustre e não é de graça. Foi lá que a Coluna Prestes travou o único grande combate no Nordeste, morrendo, entre outros, o padre Aristides, comandante da resistência. O batalhão da Coluna estava sob o comando de um tenente baixinho e valente: Cordeiro de Farias.
João Pereira Gomes, promotor, começou carreira em Piancó. Na feira, passava o coronel Chico Nitão: dois revólveres na cintura e uma cartucheira na barriga. O promotor chamou o cabo:
- Seu cabo, vá desarmar aquele indivíduo.
O cabo arregalou os olhos:
- Senhor doutor promotor, desarmar logo o coronel Chico Nitão?
- E eu quero saber quem é o coronel Chico Nitão? Vá desarmar, é a lei.
***
PIANCÓ
O cabo foi buscar o delegado, tenente Sobreira, que se espantou:
- Doutor promotor, o senhor mandou desarmar o coronel Chico Nitão?
- Mandei, tenente. Não me interessa quem seja. É a lei.
- Doutor promotor, o coronel é gente famosa, herói da região, combateu vários grupos cangaceiros, Lampião, Antonio Silvino, até com a Coluna Prestes ele brigou. Ele tem esse privilégio de andar armado.
- E eu com isso? É a lei. Vou cumprir a lei.
- Doutor promotor, alguns anos atrás apareceu por aqui um promotor igualzinho ao senhor, jovem e homem da lei. Mandou desarmar o coronel Chico Nitão e o coronel respondeu: “Diga ao doutor promotor que as minhas armas só saem da cintura debaixo de festejo”. E o promotor morreu.
- Bem, tenente, sendo assim, suspenda a operação, que vou à capital conversar com o governador.
João Pereira Gomes, promotor e homem da lei, foi à capital e nunca mais voltou a Piancó para desarmar o coronel Chico Nitão.
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CHICO NITÃO
Essa história, que Piancó conhece e o saudoso José Américo de Almeida contava, tem 80 anos. É de antes da Revolução de 30. Um tempo muito antigo, de poderes muito atrabiliários. E o Brasil era um país feudal.
Hoje, mudou. O Brasil há muitos anos deixou de ser um país feudal para ser um país legal. Tem uma Constituição jovem e moderna. Tem instituições discutidas e aprovadas por uma imensa maioria eleita pela Nação. Não há mais coronel Chico Nitão decidindo o que quer e o que não quer, o que pode e o que não pode. O tempo dos Chico Nitão passou.
O Senado precisa decidir se é um Senado Federal ou Senado Feudal.
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JARBAS
O senador Jarbas Vasconcelos não precisava ser tão vidente, quando disse que o senador José Sarney ia querer fazer do Senado “um grande Maranhão”. Não deixa de ser injustiça com o Maranhão. Podia ser Amapá.
Não passou um mês para o Senado Feudal de Sarney aparecer:
“Seguranças do Senado protegendo propriedades de Sarney no Maranhão, o que já seria esquisito, mas fica pior porque o domicílio eleitoral dele é outro, o Amapá. E passagens da cota parlamentar desviadas para amigos de Roseana passarem fins de semana em Brasília… e o então senador Tião Viana que emprestou o celular do Senado para a filha usar em viagem ao México. Uma economia e tanto para a família. Quem paga a conta é você”.
Será que, na época, a Eliane Cantanhede exagerou? A “Folha” contava pior.
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ROSEANA
1 – “Senado paga viagem para amigos de Roseana. O pagamento de passagens aéreas para amigos e assessores da senadora Roseana, líder do governo no Congresso, causou discussão. A senadora comprou os bilhetes com a cota que recebe para se deslocar de Brasília ao Maranhão.”
2 – “E hospedou parte do grupo na residência oficial da presidência do Senado. A assessoria de Roseana disse que seis pessoas estiveram em Brasília a convite da senadora para discutir a política maranhense.”
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CASSINO
3 – “Ao longo do dia, Roseana e seus assessores entraram em contradição. Primeiro, ela disse que pagara a passagem de dois assessores, enquanto sua assessoria informava que seriam seis, e que quatro deles ficaram hospedados na residência oficial do Senado, de sexta a domingo”.
4 – “Lá no Maranhão – explicou Roseana -, de vez em quando eu jogo baralho com um grupo de amigos. Como eu não estou podendo me deslocar para lá, estão dizendo que eu trouxe a mesa do jogo para Brasília. Isso é uma loucura! O site publicou a lista das pessoas com quem eu jogo. Mas a lista de quem teria usado passagens está errada.” (“Folha”.)
Nos tempos do cartão do Banco Santos em Las Vegas era melhor.
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OLIVEIRA
O saudoso e talentoso Oliveira Bastos, amigo de Sarney e meu, dizia que a maior redação do Brasil era o gabinete de Sarney no Senado. O escândalo de 181 diretores para 81 senadores não é invenção de Sarney. Mas ele sempre participou. É inacreditável o que a “Folha” publicou, há três anos:
“Até mesmo funcionários do Senado não concursados têm cargo de diretor. É o caso de Tânia Fusco, assessora de imprensa da senadora Roseana Sarney. Por indicação de Sarney, ela é diretora da Subsecretaria de Divulgação desde 2003. Ela disse que sempre acompanhou a senadora, mas que seu cargo é de diretora e sua função é atender a imprensa, embora essa função seja feita por outras jornalistas.” (É a redação do Oliveira Bastos.)



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Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -
7.10.2011
| 16h08m
Geral

Mais uma carta de Lisarb

*Não há motivo para não se seguir o coração… Nunca deixe de ter fome. Nunca deixe de ser insensato".
*Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu ia querer fazer o que vou fazer hoje?".
Copiar suas frases não é simplesmente minha homenagem ao homem que transformou nosso tempo. É meu agradecimento pela lição pessoal que suas palavras encerram.
De hoje em diante, meu dia começará repetindo Steve Jobs.
*** *** *** ***
Em 29 de junho de 2006, assinei no Blog do Noblat uma nota justificando um hábito do presidente Lula que começava a incomodar os ouvidos sensíveis: “acontece que não é por mal que o Presidente Luís Inácio Lula da Silva nunca se refere ao nosso país pelo nome. Ou fala ‘este país’, ou ‘neste país’, ou ‘deste país’. Bom observador que é, ele se apercebeu que vivemos no mundo dos contrários. Dá-se que nós, que até hoje achávamos que vivíamos no Brasil, maior país da América do Sul, vivemos é no Lisarb, gigante da Lus od Aciréma. Somos lisarbeiros, filhos de lisarbeiros e pais ou avós de lisarbeirinhos”.
Meses depois, em 30 de março de 2007, saudosa, escrevia de Lisarb para os amigos do blog, comemorando, entre outras efemérides, o nascimento da TV Lisarb, aquela que o então presidente descreveu assim:
“Eu sonho grande, sonho com uma coisa quase 24 horas por dia (...). Nós temos que fazer uma coisa séria, não é uma coisa para falar bem do governo ou para falar mal do governo, é uma coisa para informar. A informação tal como ela é, sem pintar de cor-de-rosa, mas também sem pichá-la”.
A ‘coisa’ empacou e por isso não lhe coube a informação da década, quiçá do século e em 12 de junho de 2009, eu tricotava com vocês a transformação de Lisarb em principado: o príncipe-presidente, chefe desse paraíso tropical no planalto central plantado, escolheu sua sucessora.
Na ocasião disseram que o príncipe Lula teria dito: “O fato de eu escolher a Dilma como minha sucessora é que ela tem muito a ver comigo. É mais pela semelhança que pela diferença”.
Lisarb ficou em festa. A escolhida foi coroada, a corte tem damas de companhia de truz, a carruagem é magnífica e as palavras do príncipe-presidente têm sido honradas desde então. A semelhança é imensa!
Temos tido, como convém a um principado, muitas festas. Agora mesmo Lisarb está vestida de gala: descobrimos que temos uma colônia onde rir é o melhor remédio e onde riem das mesmas coisas que nós. Há uma afinidade enorme entre os de Gabrovo e os de Lisarb, da qual o pai do Menino Maluquinho certamente nos dará notícia.
A corte se engalana dia sim, outro também. Tivemos, em menos de um mês, duas festanças e que não me digam que é por motivos fúteis! Nada disso. Em Lisarb, os cidadãos são muito cultos e evoluídos e lançamentos de livros e DVDs são festas muito concorridas.
Em qual outro país você veria cinco ministros de Estado no lançamento de um livro autobiográfico? E não só: deputados, senadores, jornalistas, advogados... A fila pelo autógrafo de José Dirceu era só um pouco maior que a fila pelo autógrafo de Delúbio Soares em seu DVD interativo, os dois próceres de nossa intelligentsia!
Aqui, neste recanto abençoado, temos quem zele por nossa cultura, pela moral e os bons costumes, por nossa saúde e pelo nosso bolso.
Ou vocês não percebem que as aventuras e desventuras dessas duas figuras à espera de uma decisão do STF são muito mais educativas e positivas do que aquela loura desenfreada a fazer charme para o marido?
Onde já se viu, em pleno século XXI, mulheres usando seus pretensos encantos com os homens, arriscando uma noite sem freios e mais lisarbinhos a caminho?
Num país evoluído, homens e mulheres são absolutamente iguais e roupas íntimas devem ser grandes o suficiente para servir aos dois gêneros. Todos devem ser magros e a pequena diferença, que não é culpa nossa, ficará disfarçada no meio das notas.
Lisarb é a pátria das executivas, o território das mulheres que fazem. Breve, quem sabe, prescindiremos deles... Mas enquanto essa gloriosa revolução não acontece, tratemos de blindá-los o mais possível.
Jogo, fumo, bebida e sexo fora do casamento, hábitos imperiosamente masculinos, serão banidos. Histórias como a das infelizes Bovary e Karenina, mulheres formadas em outros tempos, não serão toleradas, nem em livros.
Atenção, muita atenção às letras de música. Todo cuidado é pouco. Onde já se viu uma mulher pedir a um homem que a leve até a Lua?
Lisarb também acabará com outra idiossincrasia, essa herdada dos americanos: a tal da privacidade. Fumar nem dentro de nossas casas. Rauchen verboten, já dizia o Adolfo.
Em breve, como somos uma nação onde a lógica e a ética triunfam, será proibido o fabrico de cigarros e as fronteiras serão fechadas.
De dois em dois anos os amigos terão notícias de Lisarb. Minha intenção é missionária. Não pretendo falhar e na próxima carta, estou segura, vocês saberão que a perfeição foi alcançada nesta terra. Com toda a certeza, não serei eu a assinar a missiva.
Já estarei em outras plagas, que chatice, desculpem, tem hora...



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Contrabando

Artistas e jogadores que compraram carros com máfia vão responder a inquérito, diz PF

Publicada em 08/10/2011 às 00h10m
Antônio Werneck (werneck@oglobo.com.br) e Isabel de Araújo (isabel.araujo@oglobo.com.br)
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Descrição: O Jipe Hummer do jogador do Atlético paranaense Kleberson Pereira que foi apreendido durante a operação da Polícia Federal em Curitiba  (Foto: Divulgação / Receita Federal)
RIO - Os jogadores de futebol Emerson, o Sheik, do Corinthians; Diguinho, do Fluminense; e Kleberson, do Atlético Paranaense, e os cantores Latino e Belo estão entre os famosos que tiveram seus carros confiscados na sexta-feira durante a maior operação realizada pela Polícia Federal este ano no país para desarticular uma organização criminosa especializada em contrabando de automóveis de luxo . O grupo, segundo as investigações, teria se beneficiado do esquema montado pela máfia israelense e os bicheiros do Rio para venderem carros de luxo importados por preços muito abaixo do mercado.
Segundo as investigações federais, jogadores e cantores, além de empresários de várias partes do país, teriam comprado veículos com a quadrilha, obtendo vantagens como descontos de até R$ 150 mil. A PF informou que, além do confisco dos veículos, todos poderão ser processados por crime de contrabando caso não consigam provar que agiram de boa-fé.
VÍDEO: PF entra em condomínio de luxo para prender mafioso israelense
FOTOS: Confira mais imagens da operação
Entre os 35 carros de luxo apreendidos em todo país, havia um Lamborghini Gallardo LP 560, avaliado em R$ 1,3 milhão, em São Paulo.
- Embora os veículos contrabandeados chegassem pelos portos, não temos elemento que indiquem a participação de servidores aduaneiros no esquema. Além dos carros, eles contrabandeavam pedras preciosas, que chegavam ao Brasil com o certificado de origem (documento que comprova de onde é a pedra) falsificado - adiantou o procurador Antônio do Passo Cabral, do MP federal.
Em Curitiba, no Paraná, a Polícia Federal apreendeu um Jeep Hummer na casa do jogador Kleberson. Em nota, o jogador diz que comprou o carro em abril do ano passado, "numa empresa em regular funcionamento e que o valor devido foi integralmente pago, da forma ajustada, e consta da nota fiscal" emitida em seu nome.
- É contrabando adquirir um veículo de maneira fraudulenta na concessionária. Vamos analisar cada caso para identificar as fraudes - afirmou Marcus Vinicius Vidal Pontes, superintendente da Receita Federal no Rio.
Emerson, Diguinho, Kleberson, Latino e Belo disseram que as documentações dos carros estavam corretas.
Na operação, 13 pessoas foram presas, 35 carros de luxo apreendidos e mais de R$ 50 milhões em bens e dinheiro em conta bancárias foram confiscados em 14 estados. A organização criminosa especializada em contrabando de automóveis de luxo seria financiado por contraventores ligados à máfia israelense, conhecida como "Albergil Femily", e estaria envolvido em lavagem de dinheiro da contravenção, exploração de máquinas caça-níqueis e tráfico de pedras preciosas. O dinheiro também era lavado através da compra de imóveis de luxo.
A PF batizou a operação, realizada em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público federal, de "Black Ops" (expressão em inglês para operações clandestinas). Ao todo foram expedidos 22 mandados de prisão e 119 de busca a apreensão. Policiais federais e auditores da Receita vasculharam mais de 30 revendedoras de carros importados no país. Pelo menos 15 empresas supostamente fantasmas e operadas por "laranjas" contratados pela quadrilha estão sofrendo ação fiscal.Em um ano, segundo as investigações, a quadrilha importou 103 veículos.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/10/07/artistas-jogadores-que-compraram-carros-com-mafia-vao-responder-inquerito-diz-pf-925538719.asp#ixzz1aC03lebI 
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A REPÚBLICA PROCLAMADA POR ACASO

Por Carlos Chagas
O saudoso e incomparável Hélio Silva, dos maiores historiadores brasileiros, titulou um de seus múltiplos livros de "A República não viu o amanhecer". Contou em detalhes,  fruto de muita pesquisa, que a República foi proclamada por acaso. As lições daquele episódio não devem ser esquecidas. Vale lembrá-las com outras palavras e um pouquinho de adendos que a gente colhe com o passar do tempo, junto a outros historiadores  e, em especial, pela leitura dos jornais da época.
                                      
Desde junho que o primeiro-ministro do Império era o Visconde de Ouro Preto. Vetusto, turrão, exprimia os estertores do chamado "poder civil" da época, muito mais poder do que civil, porque concentrado nas mãos da nobreza e dos barões do café, com limitadíssimas relações com o cidadão comum. O Brasil havia saído da Guerra do Paraguai com cicatrizes profundas, a começar pela dívida com a Inglaterra, mas com novos personagens no palco. O principal era o Exército, composto em  maioria por cidadãos da classe média, com ênfase para os menos favorecidos. Escravos aos montes também  haviam sido libertados para lutar nos pântanos e charcos paraguaios. Nobres  lutaram, como Caxias e Osório,  mas a maioria era composta daquilo que se formava como o  brasileiro médio. 
                                      
Ouro Preto, como  a maior parte da nobreza, ressentia-se daqueles  patrícios  fardados que começavam a opinar e a participar da vida política. Haviam sido peça fundamental na abolição da escravatura, em 1888.  Assim,  com o Imperador já pouco interessado no futuro,  o governo imperial tratou de limitar os militares. Foram proibidos de manifestações políticas, humilhados e   punidos, como Sena Madureira e tantos outros.
                                      
Havia, nos quartéis e em certos  círculos políticos,  um anseio por mudanças. Até o Partido Republicano tinha sido criado no Rio e depois em  São Paulo, mas seus integrantes estavam unidos por um denominador comum: República, só depois que o "velho" morresse, pois era queridíssimo pela população. E quem passaria a mandar no Brasil seria um estrangeiro, o Conde d'Eu, francês, marido da sucessora,  a princesa Isabel.
                                      
Cogitava, aquele poder civil elitista, de dissolver o Exército, restabelecendo o primado da Guarda Nacional, onde os coronéis e altos oficiais careciam de formação militar. Eram fazendeiros, em maioria. Os boatos ganhavam a rua do Ouvidor, no Rio, onde localizavam-se as redações de jornal.
                                      
Na tarde de 14 de novembro movimentam-se  um regimento e dois batalhões sediados em São Cristóvão. Com canhões e alguma metralha, ocupam o Campo de Santana, defronte ao prédio onde se localizava o ministério da Guerra, na região da hoje Central do Brasil. Declararam-se rebelados e exigiam a substituição do primeiro-ministro, que lá se encontrava com seus companheiros. Comandados por majores, estava criado  o impasse: não tinham como invadir o prédio, por falta de um chefe de prestígio,   mas não podiam ser expulsos, já que as tropas imperiais postadas nos fundos do ministério não se dispunham a atacá-los. O Secretário-Geral do ministério da Guerra era o marechal  Floriano Peixoto, que quando exortado por Ouro Preto a investir à baioneta  contra os revoltosos, pois no Paraguai haviam praticado  feitos muito  mais heróicos, saiu-se com frase que ficou para a História: "Mas no Paraguai, senhor primeiro-ministro, lutávamos contra paraguaios..." 
                                      
Madrugada do dia 15 e os majores, acampados com a tropa revoltada,  lembram-se de que ali perto, numa casinha modesta, morava o marechal Deodoro da Fonseca, há   meses perseguido pelo governo imperial, sem comissão e doente.  Dias atrás o próprio Deodoro recebera um grupo de  republicanos, com Benjamim Constant, Aristides Lobo e outros, aos quais repetira que não contassem com ele para derrubar o Imperador, seu amigo. 
                                      
Acordado, Deodoro ouve que dali a poucas horas Ouro Preto assinaria decreto dissolvendo o Exército. Não era  verdade, mas irrita-se, veste a farda e dispõe-se a liderar a tropa. Não consegue montar a cavalo, tão fraco estava. Entra  numa carruagem e acaba no pátio fronteiriço ao ministério da Guerra. Lá, monta um cavalo baio e invade o prédio, com os soldados ao lado, todos  gritando "Viva Deodoro!  Viva Deodoro!" Saudando-os com o  agitar o boné na mão direita,  grita "Viva o Imperador! Viva o Imperador!".  Apeia  e sobe as escadarias, para considerar Ouro Preto deposto. Repete diversas vezes : "Nós que nos sacrificamos nos pântanos do  Paraguai rejeitamos a dissolução do Exército." Estava com febre de 40 graus.   O Visconde, corajoso e cruel, retruca que "maior sacrifício estava  fazendo ele ouvindo as baboseiras de Vossa Excelência!"    Foi o limite para Deodoro dizer que estava todo mundo preso.
                                      
O marechal já ia voltando, o sol ainda não tinha  nascido  e os republicanos, a seu lado, insistem  para que aproveite a oportunidade e  determine o fim do Império. Ele reluta.   Benjamin Constant lembra que se a República fosse proclamada naquela hora, seria governada por um ditador. E o ditador seria ele, Deodoro. Conta a lenda que os olhos do velho militar se arregalaram, a febre passou e ele desceu ao andar térreo, onde montou outra vez o cavalo baio. A tropa recrudesceu com o "Viva Deodoro! Viva Deodoro!" e ele agradeceu com os gritos de  "Viva a República! Viva a República!" Os militares desfilaram pelas ruas do centro do Rio. Deodoro foi descansar em sua casa e,  à tarde,  meio surpreso com o que tinha  feito, recebeu homenagem da Câmara de Vereadores do Rio. Confirmou a mudanmça e assinou os primeiros  decretos repiblicanos, levados por Rui Barbosa e outros.
                                      
Aristides Lobo escreverá depois em suas memórias que "o povo assistiu bestificado a proclamação da República."
Preso no Paço da Quinta da Boa Vista, com a família, o Imperador teve 48 horas para deixar o Brasil.  Deodoro quis votar uma dotação orçamentária  para que subsistissem no exílio.  D. Pedro II recusou, levando apenas pertences pessoais. A República estava proclamada
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Esse texto corajosíssimo é de uma amiga, professora autônoma, dona de um curso de Redação, Ritacy Azevedo. Merece ser publicado na íntegra. No jornal O POVO, porém, limita o número de caracteres. Vamos fazê-lo ganhar o mundo virtual. Repassa.

Carta aberta ao Governador do Estado do Ceará
Excelência,
Preciso dizer-lhe publicamente que votei muito mal nas últimas eleições estaduais!
Sou professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação e me dedico à profissão intensamente há vinte anos. Votei em Vossa Excelência por o senhor apoiar a campanha de Dilma Roussef. Há quatro revelações que devo fazer aos professores para que possam me desculpar esse ato falho, embora saiba que muitos deles agiram como eu, pois acreditaram em suas propostas de fazer avançar a educação no Estado. É justo que o senhor as conheça!
1. A primeira é a de que, na verdade, não havia, no Ceará, nenhum candidato dos que disputavam mais veementemente o Governo que fosse convincente, apesar do grande aparato midiático. Dos males, porém, viesse o menor. O senhor pelo menos contribuiu na campanha da Presidenta. O meu prejuízo não foi completo.
2. A segunda confissão é a de que, como o senhor, tentei ser esperta, pois votei em alguém de quem, mesmo não esperando um bom mandato, contribuía para o meu objetivo. Reconheço, contudo, que o senhor me superou no lucro de tudo isso, por ter sabido se apoiar na minha candidata para se eleger.
3. A terceira é a de que não esperava ver colegas escrachados, humilhados, surrados, feridos, ensanguentados, desmaiados, tratados sem o mínimo respeito, como se vítimas dos famosos anos de chumbo da Ditadura Militar, principalmente ocorrendo este fato na Assembleia Legislativa, Casa que deveria defender os interesses da classe em vez de, subservientemente, ceder aos seus caprichos. Felizmente a população já sabe que apenas quatro Deputados votaram contrariamente ao plano de Vossa Excelência. Não será só o senhor a perder no próximo pleito, mas também todos os que, ao contrário dos quatro, "ferraram" os professores (Esta é a expressão: "ferraram", pois não consigo ser educada e suave diante de barbaridades e brutalidades).
4. A quarta e última é a de que nunca me orgulhei tanto de ser professora. Estou feliz por saber que os meus colegas, os meus digníssimos colegas estão enfrentando como heróis seu autoritarismo e por saber que teremos avanços a partir de agora, pois a história dos professores cearenses muda a partir de agora, bem como a sua!
Continuemos, agora apenas entre nós! Não posso perder a oportunidade de satisfazer a uma curiosidade! Preciso perguntar-lhe: se o estudo do professor não tem valor no Ceará, que valor terá o do aluno? Ah, já sei... o senhor manda distribuir computadores a alguns. Quero lembrar que não são bobos. Vão recebê-los, mas não vão compensar as perdas do ano letivo!
Refiro-me à desvalorização da pesquisa e da obtenção de conhecimentos. Os professores, ao se submeterem a cursos como Especializações e Mestrados, desejam adquirir conhecimentos que difundirão para crianças e jovens do nosso Estado. Sei que não devem obter um título apenas nem principalmente para terem algum acréscimo financeiro em seus vencimentos. Seu maior anseio deve ser aprender mais, para ensinar mais e melhor. Esse argumento, porém, não pode dar sustento à desonestidade e à injustiça. O que se deve pagar a mais ao professor especializado, mestre ou doutor por essa conquista e pelos esforços necessários a ela tem que ser justo, e não desrespeitoso. Não deve se assemelhar a uma esmola, como a que o Governo de Vossa Excelência insiste em garantir. É necessário que todos os cearenses, da capital e de todos os outros municípios, saibam que a proposta para essa recompensa é humilhante e que precisaria que fosse decuplicada para corresponder a uma pequena porcentagem do subsidio de Vossa Excelência, que não precisou mostrar diploma nem provar conhecimento algum para governar o Estado. Para ser Governador, basta não ser analfabeto.
Algo mais grave!
Trato ainda de algo mais grave: do seu desrespeito ao professor. Suas infelizes frases, reveladoras do grande desdém que Vossa Excelência não soube esconder em seu discurso, magoaram a todos nós, e não apenas aos colegas da rede estadual. A sua sugestão de que professores devem trabalhar por amor só poderia ser aceita se eles não comessem; se não quisessem garantir às suas famílias pelo menos uma diminuta parcela dos benefícios que o senhor garante à sua e a si mesmo; se não se vestissem, se não precisassem pagar por energia, água, telefone e, o que já é impossível, se não precisassem de livros e de outros recursos para o seu crescimento intelectual.
Não posso deixar de comentar também sobre a sua declaração de que o professor que queira ganhar melhor deve migrar para a escola privada. Vossa Excelência não se preocupa com a evasão dos professores da rede estadual? Isso não seria problema? Outros seriam contratados? Não interessa a permanência dos professores por muito tempo no serviço público, para que projetos tenham continuidade e outros benefícios ocorram? A escola privada realmente se mostra mais justa que a pública para com o professor? Esse pensamento de Vossa Excelência é lastimável!
Por que falo tanto?
Não tenho interesses partidários nem sou membro da oposição. Mas sou uma professora! E mais: sou especialista e mestra. Não gosto de ver meu esforço desvalorizado. Não adentrei o serviço público de educação. Não tive o desprendimento e o heroísmo dos meus digníssimos colegas da educação pública do Estado do Ceará, os quais respeito muito. Não me considero, porém, culpada por não acompanhá-los em tamanho esforço porque, ao contrário de Vossa Excelência, não concordo que eu deva trabalhar só por amor, mas também por dinheiro.
Não digo que a sua visão de que o professor ou qualquer outro profissional deva trabalhar por amor é ingênua, pois ingênua seria eu se assim pensasse. Digo sim que é uma máxima cruel, insensível, revoltante, além de ridícula! Além de respeitar o professor, lamento pelo desdém de que ele é vítima, pelas humilhações a que é submetido. É absurdo um professor precisar destinar-se à Assembleia Legislativa do Ceará para reivindicar desgastantemente um direito garantido por lei que Vossa Excelência insiste em desrespeitar: o direito a um piso salarial de aproximadamente R$ 1100,00.
Um apelo...
Pense melhor, Excelência. Deixe a sensibilidade superar a arrogância e a indiferença pelas necessidades sociais. Seja prudente! O senhor já perdeu por tudo que tem feito!
Um aviso...
Não é só o professor da rede estadual que está insatisfeito, mas também o da rede privada de ensino, bem como outros segmentos. Não há causa sem efeito!
Sem mais,
Ritacy de Azevedo Teles
P.S.: O tratamento respeitoso de "Vossa Excelência" é mera convenção gramatical da qual não consigo me desvencilhar. Não deve entendê-lo literalmente




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Estênio Negreiros
Fortaleza,CE


"As leis são como as teias de aranha; os pequenos insetos prendem-se nelas, e os grandes rasgam-nas sem custo”. (Anacaris, sábio grego, da Antiguidade

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